O desafio da tosse crônica

tosse crônica

O inverno apresenta grandes variações de temperatura, porém com predomínio do frio, preparando o organismo para a chegada da Primavera. O organismo com o frio apresenta queda de resistência contra infecções, surgindo problemas de garganta, ouvidos, seios da face e principalmente do aparelho respiratório superior (da orofaringe a traquéia) e inferior (brônquios e pulmões). As doenças respiratórias geralmente se manifestam através de tosse. Aliás, a queixa de tosse é a causa mais comum da procura aos serviços médicos e a segunda causa para exame médico geral. A tosse pode ser aguda (até três semanas de duração) e crônica. Tosse crônica de origem desconhecida representa 10 a 36% dos pacientes que procuram o especialista. A tosse aguda aparece no resfriado comum, gripe, faringite, sinusite, laringite. bronquite, etc.. O diagnóstico é simples e o tratamento sem problemas, porém existem tosses prolongadas, de identificação trabalhosa e que desafiam todos os “tira-tosses” da vida. As causas mais freqüentes são a síndrome pós-nasal, asma brônquica e refluxo gastresofágico. E ainda tuberculose, câncer de pulmão, medicamentos (anti-hipertensivos, etc.), tabagismo bronquite crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), pneumonias atípicas (candidíase, legionela, etc.), abscesso pulmonar, bronquiectasias, fibrose pulmonar (intersticial ou focal), alveolite alérgica extrínseca (pulmão do granjeiro, do trabalhador de malte, criador de pássaros, criador de cogumelos, bagaçose, etc.) e doenças da pleura (pleurite, derrame pleural ou água na pleura, etc.).

O reflexo da tosse tem origem em receptores dos nervos trigêmeo (fossas nasais e canais auditivos), glossofaríngeo (faringe), vago (traquéia, brônquios e diafragma) e frênico (região do coração, tubo digestivo). Tais receptores captam os impulsos nesses locais (inflamação, irritação, corpo estranho, etc.), percorrendo os respectivos nervos até o centro da tosse (cerebelo), onde provocam tosse persistente ou crônicas Daí a grande variedade de situações e a dificuldade na localização exata do problema, pois em 26% dos casos a tosse pode ser gerada simultaneamente por diversas doenças.

A síndrome pós-nasal (refluxo de catarro na rinofaringe) é causada pelas rinites, principalmente a alérgica e a sinusites, associada ou não às rinites. A asma brônquica nas crianças pode se exteriorizar exclusivamente por tosse crônica (57%), tornando o diagnóstico problemático. O mesmo acontece com o refluxo gastroesofágico (refluxo de sucos digestivos para o esôfago) em 43% dos casos. Infelizmente os fumantes não procuram médico em virtude da tosse tornando-se um hábito incorporado ao indivíduo, porém o uso de cigarro precisa ser afastado entre as causas de tosse prolongada. Segundo os médicos americanos, as causas de tosse crônica podem ser identificadas em 88 a 100% dos casos, com sucesso de tratamento entre 84 a 98%, desde que o paciente se submeta a uma rigorosa investigação. Entre os exames pedidos, devem constar as análises do nariz (rinoscopia, nasofibroscopia, etc.), RX de tórax, espirometria (capacidade pulmonar ventilatória) e até broncoscopia, com colheita de material. Também precisam ser investigadas as doenças do coração e do aparelho digestivo (refluxo), sem falar em tomografia, ressonância, etc..

O tratamento da tosse vai depender de sua causa, do tipo de tosse (seca ou produtiva), aguda ou crônica, se contém laivos de sangue, etc.. Nas tosses agudas (seca ou irritativa), o antitussígeno pode ser empregado com tranqüilidade porém nas crônicas todo cuidado é pouco. Na produtiva, deve-se utilizar um fluidificante de secreção, para facilitar a expectoração. Nas tosses de origem infecciosa, é fundamental a prescrição de antibióticos, assim como antiinflamatórios (corticóides, etc.) na dependência do agente agressor.

Finalmente, de nada adianta rezas, benzimentos, xaropes com ingredientes desconhecidos (ervas, raízes, etc.), descongestionantes locais (vics), etc.. O fundamental é descobrir a causa primária, para depois tratar de forma correta. O tratamento pode ser clínico, cirúrgico, educativo, etc..

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