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Hipertermia maligna, um grande risco na anestesia

hipertermia

A hipertermia maligna é uma doença hereditária e latente, caracterizada por uma resposta exagerada do organismo (hipermetabólica) aos anestésicos voláteis, como o halotano, etc.. Infelizmente a predisposição genética se manifesta somente durante a anestesia, com aumentos de temperatura e freqüência do coração, contração da musculatura, coagulação do sangue e obstrução dos rins.

Após o início da crise, apenas um produto, o dantrolene sódico, pode evitar a morte do paciente, se ministrado logo no início. Acontece que somente em setembro de 2001 o produto foi colocado em todos hospitais públicos e privados do Estado de São Paulo através da lei 10.781. Até a promulgação dessa lei, apenas dez hospitais do Estado tinham o mencionado medicamento em seus estoques.

O índice de mortalidade da síndrome é de 30%, caindo para menos de 10% com o dantrolene. Nos Estados Unidos, a hipertermia maligna ocorre a cada 10 mil anestesias em crianças e a cada 50 mil em adultos. Entre nós não existem estatísticas sobre o problema, mas somente no Estado de São Paulo são realizadas 8 mil anestesias por dia.

A manifestação de hipertermia é variável, podendo surgir em qualquer momento da anestesia e até três horas após a interrupção da exposição ao agente desencadeante. As crises são caracterizadas por aumento do consumo de oxigênio e produção de CO2, acidose respiratória e metabólica, aumento da freqüência cardíaca e respiratória, aumento de potássio no sangue, destruição de músculos com eliminação de mioglobina pela urina.

O aumento da temperatura (hipertermia) nem sempre é a manifestação inicial ou proeminente da enfermidade. Na fase aguda, o tratamento é realizado com a interrupção imediata da inalação de anestésicos voláteis e/ou succinilcolina, hiperventilação com oxigênio puro inoculação de dantrolene e bicarbonato de sódio na veia, resfriamento ativo (lavagem do estômago, intestinos, bexiga com soro fisiológico gelado), colchão hipotérmico e aplicação de gelo no corpo.

O descompasso cardíaco conhecido como arritmia, que leva à parada do coração, é combatido com o controle dos níveis de potássio e acidez do sangue. Como o rim é bloqueado pelo excesso de destruição da massa muscular, é fundamental manter uma boa diurese através de hidratação e diuréticos.

Na fase tardia da doença, existe o risco de recidiva do processo, devendo-se manter o paciente na U.T.I. durante pelo menos 24 horas. Tendo em vista a gravidade do quadro, a prevenção da hipertermia maligna é fundamental nas salas de cirurgia e na identificação das pessoas susceptíveis.

As salas de cirurgia devem ser dotadas de dois aparelhos básicos: o capnógrafo, que mede o gás carbônico na respiração do operado, e o teletermômetro, para tirar constantemente a temperatura. Aliás, são equipamentos ainda raros nos centros cirúrgicos.

O organismo do homem suporta temperaturas elevadas, todavia, quando igual ou superior a 42°C, o cérebro sofre necrose e morre. O termo hipertermia maligna refere-se mais à alteração genética do que propriamente ao grau de temperatura.

Por isso o diagnóstico prévio de pessoas sensíveis à hipertermia só pode ser feito por meio de uma boa pesquisa antes da anestesia. Irmãos, pai, mãe ou filhos de pessoas que tiveram a síndrome têm 50% de chance de também serem susceptíveis.

Nesses casos, está indicada a biópsia muscular, que é a retirada de um pedaço de músculo para análise, mas cujos resultados podem ser enganosos (falsos-positivos). Existe uma associação leiga denominada “Sempre Viva”, que reúne famílias de pessoas sensíveis à hipertermia e luta para difundir informações sobre a enfermidade, exigindo das autoridades públicas remédios e equipamentos necessários para combatê-la.

Foi formada por uma assistente social, que perdeu um filho por causa da moléstia. Também a Unifesp conta com um serviço de informações sobre o tratamento de episódios agudos, com plantão de 24 horas

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