Ferida brava: Uma ameaça

Ferida brava: Uma ameaça Também chamada de úlcera de Bauru ou leishmaniose tegumentar americana, a doença tem ampla distribuição, ocorrendo desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Entre nós, já foi identificada em todos os estados, com 25 mil casos novos por ano.

Em São Paulo, acompanhou a derrubada das matas da região noroeste, predominando atulamente em múltiplos focos ao redor das grandes cidades e Vale da Ribeira. Trata-se de uma zoonose, mantida na natureza pelos animais silvestres (gambé, roedores, preguiças, tamanduás, etc.), com a participação dos animais domésticos (cães, gatos e eqüinos).

O homem comporta-se como um hospedeiro acidental, adquirindo enfermidades em contato com as matas, particularmente os lenhadores, construtores de estradas, garimpeiros, caçadores e trabalhadores na extração da madeira e carvão vegetal. A ponte de ligação entre o homem e os animais é a fêmea do mosquito Lutzomyia, com treze espécies transmissoras.

Os flebotomíneos (sugadores de sangue) picam os animais infectados, injetando o agente da doença (Leishmania brasiliensis) no homem. Na região de Sorocaba, a enfermidade vem proliferando intensamente, com casos em Salto, Itu, Porto Feliz, Itapeva, Itararé e Itapetininga, entre outros municípios. Após a picada, surge no local uma lesão avermelhada, que se transforma em ferida na pele e nas mucosas (nariz, boca, etc.). A úlcera localiza-se em qualquer parte do corpo, podendo destruir o septo nasal, com queda do pavilhão nasal (nariz de anta ou tapir).

Como a úlcera é difícil de tratar, pois reiste ao tratamento comum, é chamada de úlcera brava. A leishmaniose pode ser confundida com sífilis, bouba, hanseníase e a doença do capim (blastomicose), sendo tratada com antimoniais (Glucantime) e anfotericina B (Fungizon).

O controle da úlcera brava é realmente difícil, devido a suas características epidemiológicas, variedade de reservatórios e transmissores, o que dificulta os procedimentos clássicos de pulverização ou defumação. Por isso, o esforço é dirigido para a descoberta e tratamento dos caso, obtenção de dados de áreas sem notificação e realização de inquéritos entomológicos, visando a erradicação dos mosquitos. No momento, encontra-se em fase experimental a vacina contra a doença, com bons resultados iniciais.

Se não bastasse a ferida brava, tem surgido no Estado de São Paulo uma variedade de leishmaniose, conhecida como febre negra (calazar) ou leishmaniose visceral, que compromete o fígado, baço e medula óssea. No Brasil, 90% dos casos ocorrem no Nordeste (Ceará, Maranhão, Sergipe, etc.), com três mil doentes notificados entre 1984 e 94. Em 1993, apareceu em nosso estado, fazendo 29 vítimas, retornando a partir de agosto de 98, com presença em 24 municípios, principalmente na região de Araçatuba (19 casos) e Bauru (dois casos). Em todo o estado, a epidemia já matou duas pessoas e cerca de três mil cães foram sacrificados, pois são os reservatórios da enfermidade nas cidades.

A febre negra, causada pelo protozoário Leishmania donovani, provoca no homem febre prolongada, emagrecimento, problemas respiratórios, anemia e aumento do fígado e baço, além de feridas no nariz, boca, pernas e pés. No cão, feridas no focinho e patas, paralisia nas patas posteriores e descamação da pele. Embora a leishmaniose seja curável com antimoniais e anfoterina B no homem, não há tratamento conhecido para cães, daí a necessidade de sacrificá-los.

Diante desta ameaça, a Secretaria da Saúde do Estado vem ampliando o programa de combate à doença na região de Araçatuba, com o levantamento dos cães da região, englobando cerca de duzentos municípios e centros urbanos mais próximos de Presidente Prudente, Bauru e São José do Rio Preto. Em cães da região de Araçatuba, já foram encontrados canídeos infectados entre 5,35 e 26,32%. Pela proximidade de Sorocaba, apresentam imensas possibilidades de disseminação na região, devendo a Vigilância Sanitária ficar em estado de alerta, observando atentamente a população canina.

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