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Ataque epilético: uma grande confusão

epilepsia Ataque epilético

A confusão é total. Na presença de uma convulsão fala-se em “ataque de bichas”, doença dos faraós, epilepsia ou simplesmente ataque ou crise. Geralmente o indivíduo perde a consciência, sofre queda ao solo, apresenta movimentos rítmicos e parece que está morrendo. As crises ou ataques duram segundos ou minutos, depois a pessoa acorda sem recordar, porém persiste uma grande dor-de-cabeça.

A convulsão é expressão de uma descarga súbita, excessiva e desor-denada do cérebro (disritmia) , como se fosse um raio ou choque elétrico. Pode aparecer em numerosas doenças, como epilepsia, síncope, crises de perda de fôlego, estados de hiper-ventilação, quadros vertiginosos, en-xaqueca, acidentes vasculares cere-brais (isquemia ou derrame), tumores cerebrais, cisicercose (pipoca da carne-de-porco), efeitos de substân-cias tóxicas (álcool, cianeto, etc.), distúrbios do metabolismo dos açucares (diabetes ou hipoglicemia), alterações psiquiátricas (histeria), etc..

As crises de causa psicogênica são as que mais confundem com epi-lepsia, todavia nesses casos o início é gradual, a duração prolongada, a fala preservada e a sugestão interrompe a crise. No ataque epiléptico, o indivíduo perde a consciência ou ocorre confusão mental e sonolência, com cefaléia após a crise. Geralmente a língua é mordida. em virtude da contração dos músculos da mastiga-ção, assim como acontece o relaxa-iiiento dos esfíncteres. As convulsões podem ser desencadeadas por numerosos fatores: febres, traumatismos, hiperventilação, estresse emocional, longos períodos sem alimentação, estímulos luminosos, desequilíbrio do metabolismo e ingestão de álcool ou drogas.

Na primeira infância (até 2 anos de idade), as convulsões febris são extremamente frequentes , causando angústia e aflição aos familiares, pela sensação de morte iminente da criança. O tratamento é feito somente com antitérmicos ou métodos para baixar rapidamente a temperatura (compressas frias, banhos, etc.). No caso de recidiva, usam-se anticonvuIsivantes (barbitúricos, etc.).

A Classificação Internacional das Crises Epilépticas divide a doen-ça em dois grupos: parciais (simples, complexas, etc.) e generalizadas (au-sências, mioclônicas, clônicas, tônicas, etc.). A convulsão generalizada é o tipo mais frequente (51%), depois os tipos focais (41%) e o pequeno mal (perda rápida de consciência por segundos) com 8%. A crise epiléptica pode adquirir aspectos variados, des-de crises motoras localizadas (contração de um dedo da mão ou de um pé) até fenómenos sensitivos (ador-mecimentos, formigamentos ou a sen-sação de alfinetes ou agulhas). Exis-tem pessoas que pressentem a crise (aura) pelo aparecimento de determinadas sensações, como barulho nos ouvidos, sabores específicos, tipos de cheiro e até vertigens.

A epilepsia se manifesta com frequência máxima em dois períodos da vida, dos 2 aos 5 anos e em torno da puberdade As primeiras crises são do tipo generalizado, porém podem ser precedidas de ataques de pequeno mal (crises de olhar fixo ou desaparecimento e retorno rápido dos sentidos). O desenvolvimento da criança geralmente é normal e o exame neurológico não detecta qualquer anormalidade. A gravidade do estado convulsivo varia de um único ataque todos os anos até várias crises ao dia. Quando os ataques são frequentes, as crianças têm uma ameaça constante de lesão no cérebro ou problemas sociais, dificuldade de aprendizado ou desenvolvimento da personalidade. Na idade adulta, exis-te o drama do emprego, pela rejeição das fontes de trabalho.

Realmente, quem sofre de ataques frequentes não pode executar certas profissões, como motorista, pedreiro, etc. tendo em vista a possibilidade de quedas ou perda de consciência, mas não existe invalidez para outras atividades. O diagnóstico é confirmado com eletroencefalogra-ma, tomografia computadorizada, ressonância magnética, etc. e o tratamento das crises é realizado com monoterapia (diazepínicos, fenobar-bital, etc.). O ideal é a profilaxia dos ataques com ácido valpróico, fenitoína, carbamazepina, fenobarbital e primidona, etc., na dependência do tipo de crise ou o local do cérebro acometido. As novas drogas anticonvulsivantes permitem o controle total da enfermidade, tornando o epilépti-co um indivíduo absolutamente normal. As bichas (lombrigas) não pro-vocam ataques convulsivos, porém a histeria (neurose de conversão) pode perfeitamente simular um ataque epiléptico, trazendo grande preocupação para os familiares e leigos.

Desta forma, a epilepsia, tam-bém conhecida como “febre de Tebas” ou doença dos faraós, é urna dis-ritmia cerebral, com história familiar e evolução favorável, na dependência do acompanhamento médico e da medicação específica.

Ataque epilético: uma grande confusão
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