Alergia ao latex, um grande problema

alergia ao latex saúde aidsA alergia ao látex está se tornando uma preocupação universal, tendo em vista o uso frequente do produto na área da Saúde e a necessidade de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids.

A prevalência da hipersensibilidade ao látex situa-se entre 2,6 a 16,9% na Europa e Estados Unidos, porém é desconhecida entre nós. O primeiro caso de alergia ao látex foi descrito em 1979 com luvas de borracha. Entre nós (Brasil), o problema foi detectado somente em 1996 num paciente com asma no estado de São Paulo. O látex natural é composto por uma emulsão extraída da Hevea brasiliensis e apresenta diversas substâncias alergizantes, como o fator de alongamento da borracha, amônia (aumento da elasticidade), heveina, etc..

As pessoas mais expostas ao látex são os profissionais de saúde (7 a 10%), principalmente os cirurgiões, dentistas, anestesistas , enfermeiras, etc., caracterizando uma doença profissional. As pessoas mais predispostas apresentam outras manifestações de alergia, como atopias, dermatite de contato nas mãos, malformações uro-genitais (cateterismos vesicais) e até reações cruzadas com frutas tropicais, como o kiwi, manga, banana, abacate, maracujá, etc..

Um dado interessante é que 28 a 67% das crianças com espinha bífida, que é uma mal-formação da coluna, têm testes cutâneos positivos ao látex. Os profissionais de saúde em emergências médicas têm 10% de positividade aos testes cutâneos (prick test, etc.) com látex, 5,4% em emergências pediátricas, 9% em odontologia e 6,4% em doadores de sangue, mostrando que a alergia ao látex não está restrita aos grupos de risco. Entre as frutas que dão reações cruzadas ao látex, a banana e o abacate são as mais importantes o mesmo ocorrendo com a papaína (mamão) e o Ficus, que é uma planta encontrada em casas e escritórios.

Uma situação extremamente grave e de grande importância na prática ginecológica e obstétrica é o choque anafilático em gestantes, em virtude do contato com as luvas do cirurgião e do anestesista. As luvas cirúrgicas de látex são as preferidas em virtude da flexibilidade e sensibilidade tátil. As reações mais importantes ao látex são dermatite irritativa, dermatite de contato, urticária de contato, rinite, conjuntivite, asma e anafilaxia (pressão zero).

Os indivíduos que usam “camisinha” nas relações sexuais para a profilaxia das doenças sexualmente transmissíveis, principalmente a Aids, podem apresentar dermatites irritativa e de contato, que se manifestam por vermelhidão e prurido no pênis, podendo confundir com candidíase. O mesmo acontece com as mulheres que apresentam vaginite ou irritação com prurido após o contato com o látex. Nestes casos, se o teste cutâneo for positivo, o uso do preservativo deve ser definitivamente abolido nas relações sexuais.

Os indivíduos alérgicos ao látex podem ter os sintomas desencadeados (edema nos lábios ou da face) ao entrar em contato com qualquer objeto, como soprar uma bola de borracha nas festas de aniversário. As enfermeiras também pagam alto tributo pela sensibilização látex, sendo que 8,9% apresentam manifestações alérgicas em contato com luvas e outros instrumentos de trabalho.

Os pesquisadores têm observado uma menor sensibilização ao latex nos países tropicais, sendo que somente 12% dos médicos e 2,5% das enfermeiras das regiões quentes mostram tal tendência, o que talvez explique o único caso observado na cidade de São Paulo.

Todavia, nos indivíduos, sensíveis ao produto deve-se evitar o uso nos procedimentos médicos, cirúrgicos e odontológicos. Felizmente, existem materiais alternativos a borracha, como o poliuretano e o vinil, para a utilização na população sensível ao produto. No entanto, tais substitutos ainda não foram utilizados na confecção de preservativos para a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis.

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